sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Equipe de transição inspeciona Hospital de Emergências e constata verdadeiro caos



Em visita de inspeção realizada na tarde de quarta-feira, 3, no Hospital de Emergências de Macapá, a equipe de transição do governador eleito do Amapá se deparou com um verdadeiro cenário de guerra. Superlotação no setor de traumatologia, desabastecimento de medicamentos e correlatos e falta de manutenção de equipamentos fundamentais para o atendimento à população são os principais problemas enfrentados no pronto-socorro, conforme relatou o diretor da unidade hospitalar, Regiclaudo Silva, durante a inspeção.


Acompanhado do promotor de justiça da Cidadania do Ministério Público do Estado, Pedro Leite, da deputada estadual Marilia Góes e dos coordenadores da transição Narson Galeno e Renilda Costa, o vice-governador eleito Papaléo Paes, coordenador geral da equipe de transição do governador eleito Waldez Góes, inspecionou desde a recepção aos pacientes no hospital, até as enfermarias de internações cirúrgicas e o setor de traumatologia. Este último causou espanto e perplexidade aos visitantes, os quais consideram que as condições existentes no setor caracterizam uma violação aos direitos da pessoa humana.
Aproveitando a presença dos membros da equipe de transição e dos demais visitantes, pacientes internados no HE denunciaram as condições de atendimento no local, principalmente a grande demora na realização de cirurgias ortopédicas. Alguns deles alegam estar há mais de três meses na fila de espera de cirurgias. Eles denunciam que muitas vezes procedimentos cirúrgicos agendados são cancelados, por causa da falta de material necessário à realização de cirurgias e do fechamento do Centro Cirúrgico.
Atualmente, das três salas do Centro, apenas duas estão funcionando. Segundo a direção, uma delas está desativada por conta de um defeito na refrigeração e pelo não funcionamento de um dos carrinhos de anestesia.
“O setor de Ortopedia, o desabastecimento de medicamentos e correlatos, e a falta de contratos para manutenção dos nossos equipamentos são os principais gargalos existentes hoje no Hospital de Emergências”, revelou Regiclaudo Silva.
Segundo o dirigente, a máquina de autoclave, utilizada na esterilização de equopamentos, está quebrada desde abril. Ele explica que uma nova foi comprada e já se encontra no Estado, mas ainda não foi instalada porque para isso é necessário que sejam feitas adaptações na estrutura física do hospital.
Outro problema do HE é falta de chapas de raio-x para áreas grandes do corpo humano, como abdômen e tórax. O tomógrafo também está com defeito e, por falta de contrato para a manutenção, o serviço foi terceirizado para atender a atual demanda.
Para o diretor, outro grande problema do pronto-socorro é a excessiva demanda, inclusive a que deveria ser atendida nas unidades de atenção básica de saúde. “Somos um hospital portas abertas, não podemos mandar o paciente voltar pra casa, porém muitos dos casos poderiam ser resolvidos nos postos de saúde, desafogando a urgência e emergência”, disse o diretor.
Em relação à demora no atendimento de pacientes que esperam por cirurgias, Regiclaudo também considera haver uma sobrecarga no HE, o que atribui ao grande número de acidentes de trânsito que ocorrem em Macapá. Ele informou que uma das alternativas para minimizar o problema da traumatologia será um mutirão de cirurgias ortopédicas de média complexidade, que será realizado no Hospital de Emergências, previsto para ser iniciar no próximo dia 5 e que irá ocorrer durante todo o mês de dezembro.
Na visão do coordenador Narson Galeno, além de investimentos na infraestrutura e em equipamentos, o que falta para resolver o problema do HE é vontade política. Para ele, uma das soluções emergenciais seria recorrer ao Exército Brasileiro e a instituições privadas de saúde, para melhorar de imediato a situação do atendimento no pronto-socorro. “Não acredito que isso seja falta de recurso, mas sim falta de iniciativa”, avaliou Galeno.
“Não estamos aqui para culpar o diretor, ou qualquer profissional da saúde. Sabemos que a maioria acaba sendo vítima do sistema, mas é preciso pulso forte e determinação para resolver o problema. O que não podemos mais aceitar é esse cenário de guerra e esse depósito de gente que virou o HE”, concluiu o coordenador Papaléo Paes.

Durante a inspeção, Regiclaudo Silva informou que o relatório relativo à atual situação do Hospital de Emergências já está sendo construído e até o final desta semana deverá ser encaminhado ao coordenador da transição.