Em visita de inspeção realizada na tarde de quarta-feira, 3,
no Hospital de Emergências de Macapá, a equipe de transição do governador
eleito do Amapá se deparou com um verdadeiro cenário de guerra. Superlotação no
setor de traumatologia, desabastecimento de medicamentos e correlatos e falta
de manutenção de equipamentos fundamentais para o atendimento à população são os
principais problemas enfrentados no pronto-socorro, conforme relatou o diretor
da unidade hospitalar, Regiclaudo Silva, durante a inspeção.
Acompanhado do promotor de justiça da Cidadania do
Ministério Público do Estado, Pedro Leite, da deputada estadual Marilia Góes e
dos coordenadores da transição Narson Galeno e Renilda Costa, o vice-governador
eleito Papaléo Paes, coordenador geral da equipe de transição do governador
eleito Waldez Góes, inspecionou desde a recepção aos pacientes no hospital, até
as enfermarias de internações cirúrgicas e o setor de traumatologia. Este
último causou espanto e perplexidade aos visitantes, os quais consideram que as
condições existentes no setor caracterizam uma violação aos direitos da pessoa
humana.
Aproveitando a presença dos membros da equipe de transição e
dos demais visitantes, pacientes internados no HE denunciaram as condições de
atendimento no local, principalmente a grande demora na realização de cirurgias
ortopédicas. Alguns deles alegam estar há mais de três meses na fila de espera de
cirurgias. Eles denunciam que muitas vezes procedimentos cirúrgicos agendados
são cancelados, por causa da falta de material necessário à realização de
cirurgias e do fechamento do Centro Cirúrgico.
Atualmente, das três salas do Centro, apenas duas estão
funcionando. Segundo a direção, uma delas está desativada por conta de um defeito
na refrigeração e pelo não funcionamento de um dos carrinhos de anestesia.
“O setor de Ortopedia, o desabastecimento de medicamentos e
correlatos, e a falta de contratos para manutenção dos nossos equipamentos são
os principais gargalos existentes hoje no Hospital de Emergências”, revelou Regiclaudo
Silva.
Segundo o dirigente, a máquina de autoclave, utilizada na esterilização
de equopamentos, está quebrada desde abril. Ele explica que uma nova foi
comprada e já se encontra no Estado, mas ainda não foi instalada porque para
isso é necessário que sejam feitas adaptações na estrutura física do hospital.
Outro problema do HE é falta de chapas de raio-x para áreas
grandes do corpo humano, como abdômen e tórax. O tomógrafo também está com
defeito e, por falta de contrato para a manutenção, o serviço foi terceirizado
para atender a atual demanda.
Para o diretor, outro grande problema do pronto-socorro é a excessiva
demanda, inclusive a que deveria ser atendida nas unidades de atenção básica de
saúde. “Somos um hospital portas abertas, não podemos mandar o paciente voltar
pra casa, porém muitos dos casos poderiam ser resolvidos nos postos de saúde,
desafogando a urgência e emergência”, disse o diretor.
Em relação à demora no atendimento de pacientes que esperam
por cirurgias, Regiclaudo também considera haver uma sobrecarga no HE, o que
atribui ao grande número de acidentes de trânsito que ocorrem em Macapá. Ele informou
que uma das alternativas para minimizar o problema da traumatologia será um
mutirão de cirurgias ortopédicas de média complexidade, que será realizado no
Hospital de Emergências, previsto para ser iniciar no próximo dia 5 e que irá
ocorrer durante todo o mês de dezembro.
Na visão do coordenador Narson Galeno, além de investimentos
na infraestrutura e em equipamentos, o que falta para resolver o problema do HE
é vontade política. Para ele, uma das soluções emergenciais seria recorrer ao
Exército Brasileiro e a instituições privadas de saúde, para melhorar de
imediato a situação do atendimento no pronto-socorro. “Não acredito que isso
seja falta de recurso, mas sim falta de iniciativa”, avaliou Galeno.
“Não estamos aqui para culpar o diretor, ou qualquer
profissional da saúde. Sabemos que a maioria acaba sendo vítima do sistema, mas
é preciso pulso forte e determinação para resolver o problema. O que não
podemos mais aceitar é esse cenário de guerra e esse depósito de gente que
virou o HE”, concluiu o coordenador Papaléo Paes.
Durante a inspeção, Regiclaudo Silva informou que o
relatório relativo à atual situação do Hospital de Emergências já está sendo
construído e até o final desta semana deverá ser encaminhado ao coordenador da
transição.



